Terça-feira, Outubro 11, 2005

Breve conjectura sobre o mundo e as rosas

Stat rosa pristina nomine,
nomina nuda tenemus.


Como o sujeito que, após um longo período envolto pela escuridão, recebe ao sair dela toda a violência que pode representar um simples raio de sol, ergo às vezes eu mesmo os olhos para as mazelas humanas, para a o mundo que existe, coexiste e é externo a mim, que se move e que possui alguma correlação com seus movimentos efetuados no tempo e no espaço.

Este mesmo mundo que preocupa-se com discussões mundanas, votações inúteis, escolhas irrelevantes, senão a uma pequena parcela deste próprio mundo, referendos questionadores sobre supostos direitos jamais adquiridos, jamais perdidos, jamais utilizados.

Este mesmo mundo que também questiona, desafia, escandaliza e quer derrubar a outra parcela deste próprio mundo, que durante apenas uma parcela daquele mesmo tempo e mesmo espaço onde este se movimenta, ocupa o lugar mais alto na hierarquia pseudo-dominante.

Este mesmo mundo que busca ascender política e socialmente sem qualquer resquício de boas intenções, senão em favor próprio. A meta é o acesso e o desvio da moeda, do papel, da influência. Nada mais.

E entre escândalos e notícias, tremores e guerras, caminhava hoje cedo pela rua onde moro, desenvolvendo estes pensamentos e ocupando-me de encontrar uma pequena lembrança para presentear aquela que foi a culpada por estes escritos ganharem forma hoje, e que comemora seu quinquagésimo aniversário amanhã.

Subitamente, me vi desviando o curso inexorável de meus pés desatentos. Dois passos para a direita. Mais dois até atingir a calçada oposta, de onde pude volver os olhos, confesso que perplexos, em direção à rua.

Ali, próximo ao cordão da calçada, em meio ao trânsito frenético, à fumaça dos carros, aos pés apressados, esquivando-se de toda a sorte de infortúnios, ameaçava abrir-se em cor um pequeno botão de flor, que não soube identificar a espécie. Não importa.

Talvez ainda haja esperança.
A pequena lembrança será uma flor.