Terça-feira, Dezembro 13, 2005

De volta aos trilhos...

"The art of writing is the art of discovering what you believe."
Gustave Flaubert

E eis que após um longo período de inércia semi-proposital, as palavras voltam a preencher a longa lacuna formada neste lugar. O vácuo que preencheu-o não era do meu agrado, confesso, mas nada podia fazer para dissuadi-lo a sair e deixar-me popular o espaço novamente com as poucas linhas divagadoras que já havia me habituado a deixar por aqui, ainda que esparsas.

O ócio e a inércia apoderaram-se da inspiração e a levaram para longe. E as consequências deste ato indesejado refletiram-se em tudo, e sobre quase todos. Aos poucos, involuntariamente, matei-me aos pedaços. Todos eles. Todos eus.

O pretenso escritor, o atleta do passado, o estudante aficcionado pela Academia e pelo conhecimento em todas suas esferas, o leitor que outrora devorava livros e artigos,o filho presente e o amigo que antes era presente às ocasiões festivas e outras nem tanto.

Pouco a pouco, todos sumiram.

Abandonaram-me, diante da prostração e da falta de reação ante ao ócio e às mudanças que se processavam. Um a um, todos se foram. Restou o profissional. Algo situado entre uma máquina autômata e um peão fabril. Planejar, controlar, executar, verificar. Ações mortas e estéreis de uma máquina impensante, que consumia as mais preciosas horas dos dias do único eu que não se foi.

Felizmente, nem tudo fora perdido e alguma fagulha de amor próprio acesa com um bom punhado de incentivos de pessoas mui queridas fez com que, pouco a pouco, meus outros eus retornassem.

O ex-atleta tomou as devidas providências e hoje pode-se dizer que aqui mora o adágio da mens sana, corpore sano. O leitor voraz agora estuda a história quase mítica do Santo Sudário e de sua suposta relação com os templários. O estudante busca recuperar o tempo perdido e cumprir os prazos prometidos na Academia. O amigo ausente ainda busca seus irmãos desprezados. O filho planeja a volta ao lar e o escritor volta a dar o ar graça por estes lados. A população da casa aumentou, e enquanto escrevo estas linhas meus dois esquilos tratam de cavar um pequeno tunel enquanto o mais novo habitante da casa, um schnauzer miniatura, dorme sobre meus pés.

E a máquina?

A máquina, meus caros, passou a pensar, a enxergar, rebelou-se, assumiu o controle.
E desertou.