Quarta-feira, Abril 05, 2006

Times of wind

"Ticking away the moments that make up a dull day
You fritter and waste the hours in an off hand way
Kicking around on a piece of ground in your home town
Waiting for someone or something to show you the way"


A rajada de vento frio que invade o apartamento enquanto escrevo me obriga a levantar e fechar a fresta pela qual ele, senhor do movimento, tome conta dos espaços vazios do todo e de mim. E nada representa melhor o distanciamento que tive deste espaço ao longo de todo esse tempo: uma rajada de vento frio que guiou meus interesses para longe, para perto, para todos os lados, e para lado algum.

Mas esse desapego daqui e de quase tudo não chega a ser de todo ruim. O isolamento é uma dádiva a que poucos se dão o prazer. Aquele que pode afastar-se e retornar não é escravo. É senhor do movimento, como o vento, que pode levar-se em qualquer direção.

Há um ano, o mesmo vento embalava meus devaneios com uma então desconhecida durante madrugadas a fio, da janela do meu apartamento de onde avistava a Estação da Luz iluminada, imponente em meio ao deserto das horas que já eram bastante adiantadas.

Há um ano, meu sono se desfez em longas conversas inusitadas, regadas pelo vinho e pelas esperanças esculpidas no imaginário sem limite da minha consciência febril. Em encontros surreais. Em uma experiência da qual me recuso a sair.

Pois continue a soprar, vento, e leva estes pensamentos para a única direção para a qual agora sabes voar.